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Maria
Clara Machado (1921-2001)
Quando
falamos de infância, as primeiras lembranças
que nos vêm à cabeça são aquelas
que de alguma forma nos emocionaram. Sem dúvida nenhuma
dentre tantos marcos, é na literatura onde encontramos
a possibilidade de estabelecer sonhos e de deixar solta a
nossa imaginação, fazendo com que tomemos parte
daquilo que se está lendo.
No
campo da dramaturgia infantil, tivemos uma representante de
peso: Maria Clara Machado. Ela não só soube
falar diretamente para a criança, como conseguiu, através
de suas peças, expressar o universo infantil. "A
criança guarda hoje as mesmas características
das crianças de quarenta anos atrás: o medo
de crescer e o medo do outro", já dizia. Foi
pioneira nesse sentido e foi a partir de sua obra que as peças
infantis foram qualificadas como textos teatrais de valor
dramático. Escreveu mais de 30 de autoria própria
e adaptações de clássicos infantis.
Sua estréia foi em 1953, com o texto "O Boi
e o Burro a caminho de Belém", mas foi em
1955, com "PLUFT, o fantasminha" que ficou
conhecida do grande público. Além fazer sucesso
em todo o mundo, Pluft é até hoje constantemente
encenada por grupos de teatro amador e profissional, e é
uma peça pela qual ela guarda um carinho especial.
"O engraçado é que as mães teimam
em me apresentar às crianças como a mãe
do Pluft. E elas me olham, com os olhos arregalados, espantadíssimas",
declara rindo. Pluft ganhou uma adaptação para
a TV na década de 70, em preto-e-branco, onde contracenavam
Zilka Salaberry, a mãe do Pluft, e Dirce Migliaccio,
o fantasminha que morria de medo de gente. E em 80, ganhou
uma versão para LP, tendo no papel título a
atriz Louise Cardoso.
Dentre
outros grandes êxitos estão: A Bruxinha Que
Era Boa (1954) e O Cavalinho Azul (1959), que chegou
ao cinema na década de 80 pelas mãos do diretor
Eduardo Escorel.
"Não
sei definir meu trabalho, eu crio a partir do zero, é
vocação, nasci para fazer isso, as teorias ficam
para os críticos. Um poeta não escreve assim
por causa daquilo. Somos intuitivos, é uma questão
de momento"
No Brasil, ganhou os prêmios mais importantes do teatro
e da literatura nacionais: o "Saci"; o "Mambembe"
e o "Machado de Assis". Suas obras foram
premiadas internacionalmente e traduzidas para diversos idiomas.
Nos 50 anos do tablado, ela recebeu duas homenagens: em abril
de 200, ganhou um prêmio Shell de teatro por sua contribuição
às artes cênicas como dramaturga e professora
e teve suas peças homenageadas nos cartões telefônicos
da Telemar.
O
TABLADO
Além
de autora, Maria Clara Machado ficou famosa também
como diretora e formadora de novos talentos em sua escola
de teatro "O Tablado", no Rio de Janeiro. Por lá
passaram vários nome que hoje são consagrados
e que passaram a chamá-la de "mestra".
Fundado
em 195, inicialmente ele foi uma companhia de teatro amador
que usava para seus ensaios um prédio da Lagoa, cedido
quase de graça pela instituição beneficente
Patronato da Gávea. Mais tarde, se transformou num
grande centro de formação de atores. O fato
do espaço não ser profissionalizado foi de certa
forma uma resistência. Talvez fosse um dos fatos que
fizessem dele um "ambiente familiar", fazendo-o
vir a completar 50 anos de existência. "Fiquei
para titia e tenho muitos sobrinhos, incluindo meus antigos
e novos alunos". Segundo a pesquisadora Cláudia
Arruda, "O Tablado" foi a companhia que ajudou a
modernizar o teatro no Rio de Janeiro.
BIOGRAFIA
Nascida
em Belo Horizonte (MG), em 1921. Segunda de cinco irmãs,
todas Marias, foi criada no bairro carioca de Ipanema, num
ambiente de artistas e intelectuais como Bandeira, Drummond,
Pagu, Oswald de Andrade e Di Cavalcanti, que eram amigos de
seu pai, o escritor Aníbal Machado. Não poderia
ela ter um destino comum. Começou então na carreira
artística com um teatro de bonecos, contando com a
ajuda da poeta Cecília Meireles, que a ensinou como
manipulá-los.
Recebe
em 1950 uma bolsa do governo francês e, aos 19 anos,
vai estudar teatro em Paris. Voltou com várias idéias
de textos na cabeça. Em 51, montou com mais dez amigos
o Tablado, companhia que revolucionou o teatro infantil e
formou dezenas de atores e atrizes.
A
partir de 1953, começou a escrever para o teatro infantil,
o qual a projetou para o Brasil e para o mundo. Em 2001, com
80 anos completos, ela nos deixou, vitima de câncer,
deixando uma extensa obra no campo da dramaturgia infantil,
que ficará viva por muito tempo.
PEÇAS
1953
- O Boi e o Burro no caminho de Belém
1954 - O Rapto das Cebolinhas
1955 - Pluft, o Fantasminha
1956 - O Chapeuzinho Vermelho
1957 - O Embarque de Noé
1958 - A bruxinha que era boa
1959 -
1960 - O Cavalinho Azul
1961 - Marroquinhas Fru-Fru
1962 - A Gata Borralheira
1963 - A Menina e o Vento
1965 - A Volta do camaleão Alface
1966 - As Interferências
1967 - O Diamante do Grão-Mogol
1968 - Maria Minhoca
1969 - Camaleão na Lua
1970 - Embrulhos
1971 - Tribobó City
1972 - Um Tango Argentino
1976 - O Patinho Feio
1978 - Quem matou o Leão?
1980 - João e Maria
1981 - A Cigarra e a Formiga
1984 - O dragão Verde
1985 - Aprendiz de Feiticeiro
1987 - O Gato de Botas
1994 - A Coruja Sofia
Tudo
Por um Fio ( com Cacá )
Passo
a Passo ( com Cacá )
1996 - A Bela Adormecida
2000 - Jonas e a Baleia ( com Cacá )
Livros editados:
100
Jogos Dramáticos
A
Coruja Sofia
Como Fazer Teatrinho de Bonecos
Exercícios de Palco
Coleção
Teatro
Teatro
I
Pluft, o Fantasminha; A Bruxinha que Era Boa; O Rapto das
Cebolinhas; O Chapeuzinho Vermelho; O Boi e o Burro no Caminho
de Belém.
Prêmios
"Saci", de melhor autor nacional; "Molière";
"Golfinho de Ouro"; "Mambembe"; "Machado
de Assis", da Academia Brasileira de Letras.
Teatro
II
A Volta do Camaleão Alface; Camaleão na Lua;
O Embarque de Noé; O Cavalinho Azul.
Prêmios
"Saci", de melhor autor nacional; "Molière";
"Golfinho de Ouro"; "Mambembe"; "Machado
de Assis", da Academia Brasileira de Letras.
Teatro
III
A Menina e o Vento; Maroquinhas Fru-Fru; A Gata Borralheira;Maria
Minhoca.
Prêmios "Saci", de melhor autor nacional;
"Molière"; "Golfinho de Ouro";
"Mambembe"; "Machado de Assis", da Academia
Brasileira de Letras.
Teatro IV
O Diamante do Grão-Mogol; Aprendiz de Feiticeiro; Tribobó
City; O Gato de Botas.
Prêmios "Saci", de melhor autor nacional;
"Molière"; "Golfinho de Ouro";
"Mambembe"; "Machado de Assis", da Academia
Brasileira de Letras.
Teatro V
Os Cigarras e os Formigas; Camaleão e as Batatas Mágicas;Quem
Matou o Leão?; O Patinho Feio.
Prêmios "Saci", de melhor autor nacional;
"Molière"; "Golfinho de Ouro";
"Mambembe"; "Machado de Assis", da Academia
Brasileira de Letras.
Teatro VI
João e Maria; Um Tango Argentino; O Dragão Verde;
A Coruja Sofia; A Bela Adormecida.
Prêmios "Saci", de melhor autor nacional;
"Molière"; "Golfinho de Ouro";
"Mambembe"; "Machado de Assis", da Academia
Brasileira de Letras.
LINKS:
http://www.puc-rio.br/pilha/pilha6/ciblivrobr.html
http://www.canalkids.com.br/arte/galeria/mariaclara.htm
http://www.rieli.com/personagem/p05_25.htm
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