Amanda – Trem da Alegria

Trem da Alegria

AMANDA EX-TREM DA ALEGRIA

por Vinicius Neves <viniciusneves@hotmail.com>

(Entrevista publicada no Infância80 em 2002)

Amanda Acosta - Trem da Alegria

Infância80 – Como começou sua carreira musical?
Amanda: Eu comecei com 4 anos de idade, cantando “Ursinho Pimpão” no Programa do Raul Gil, ao vivo. Até chorei na segunda parte da música, porque errei a letra (risos). Mas ele me deu o prêmio mesmo assim. Foi super natural, não foi meu pai que forçou a barra; tanto que ele nem queria. Foi um cara que mudou pra frente da minha casa, e eu vivia brincando em frente de casa, cantando e dançando. Então ele me viu e falou, com meu pai, que conhecia um pessoal do programa, e que me levasse lá. Meu pai nem queria que eu fosse, então minha mãe me perguntou e (ela falou que) eu disse que queria. Assim começou: montamos a banda “Amanda e as Netinhas”, com minhas duas irmãs e minhas duas primas, e a gente seguiu fazendo shows.

Infância80 – Você sempre quis ser cantora?
Amanda: Sim, desde pequena. Eu sempre fiz música, além de trabalhar como atriz. Fiz alguns comerciais e, depois do Trem da Alegria, fiz a novela “O Mapa da Mina” e peças de teatro no Rio de Janeiro.

Infância80 – Você fez parte do grupo Dó-Ré-Mi…
Amanda: Isso! Foi antes do Trem do Alegria. Eu fazia comerciais e participava de muitos programas de calouros, até que conheci o empresário do Dó-Ré-Mi, que falou com meu pai e eu fui fazer parte do grupo.

Infância80 – E por que o grupo acabou?
Amanda: Não sei responder. Eu saí porque tinha passado no teste do Trem da Alegria, né. Não sei o que aconteceu com o grupo Dó-Ré-Mi depois.

Infância80 – Como você entrou para o Trem da Alegria?
Amanda: Eu fiz um teste, entre milhares de crianças, e passei.

Infância80 – Como foi a interação com o grupo no começo? Levou um tempo para se enturmar?
Amanda: Nada! Nós somos amigos até hoje. A Vanessa era minha “mãezinha”, porque minha mãe não me acompanhava muito nas viagens. Quem me acompanhava mais era o meu pai. Então ela brincava de boneca comigo, sabe? Foi muito bacana, porque tinha a Vanessa e o Luciano da mesma idade, e eu e o Juninho da mesma.

Infância80 – Como eram as gravações e shows? Era chato, ou vocês levavam na brincadeira?
Amanda: Sempre foi muito legal. Lógico que tinha dias, não em gravações, mas em shows, que a gente queria ficar na piscina e não ir pro show. Mas isso era raro de acontecer. Pra gente, era uma brincadeira, era muito bom. E continua sendo, senão eu não estaria trabalhando com isso até hoje.

Amanda Acosta - Trem da AlegriaInfância80 – Como você lidava com a fama? Fazer parte do Trem da Alegria atrapalhava na sua vida pessoal?
Amanda: Meus pais conduziram muito bem essa parte. Eles nunca me distanciaram das minhas amigas, sempre brinquei na rua… nunca mudei meu jeito de ser. Tudo isso graças aos meus pais, pois eles poderiam ter me privado disso, já que nessa época eu não tinha opinião própria. É lógico que tinha certos lugares que eram um absurdo, mas era gostoso. Tinha até algumas fãs que viravam amigas.

Infância80 – E como era na escola? Você tinha tempo para ir às aulas?
Amanda: Eu nunca repeti nenhum ano. Mas a escola sabia que eu tinha trabalho, então meus pais ajudavam copiando a matéria para eu poder estudar. Tinha aula particular quando precisava. Se eu perdia prova, podia fazer depois —- mas nada de privilégios, tinha que estudar!

Infância80 – Seus pais sempre te apoiaram?
Amanda: Sempre. Minha mãe, meu pai e meus irmãos são meus alicerces, me apóiam muito.

Infância80 – Você se inspira em alguma cantora?
Amanda: Sou fã da Elis Regina, acho ela perfeita! Ela foi e continua sendo meu ídolo. Tem outras maravilhosas por aí, tem tantas… antigamente era a Madonna, e continuo admirando muito ela.

Infância80 – Quais eram as suas músicas preferidas da época do Trem? Quais você mais gostava de cantar?
Amanda: “Pra Ver Se Cola”, “Pula-Corda”, “O Lobisomem”… A maioria das músicas eu achava legal.

Infância80 – Existiram músicas gravadas que não foram lançadas?
Amanda: Sim. Mas agora não vou conseguir lembrar disso.

Amanda Acosta - Trem da AlegriaInfância80 – Por que exatamente o Trem da Alegria deixou de existir?
Amanda: Acho que foi uma fase. A gente estava crescendo e acho que a gravadora também não quis continuar. Estávamos partindo pra outro caminho. Não adiantava continuar cantando músicas que a gente não sentia mais. Porque era nossa vida que estava ali: a gente cantava coisas que a gente fazia.

Infância80 – Foi algo esperado ou de repente?
Amanda: Foi algo esperado, sim.

Infância80 – O que mais provoca saudades do tempo que você participava do Trem da Alegria?
Amanda: Saudades de estar no palco o tempo todo, fazendo muitos shows, o carinho das pessoas… Estar fazendo o que gosta. Mas isso eu continuo fazendo, graças a Deus.

Infância80 – Existiram propostas de gravadoras pra você depois que o Trem acabou?
Amanda: Existiram, mas não era o momento.

Infância80 – Como surgiu a oportunidade de participar da novela “O Mapa da Mina”? Você pretendia então seguir carreira de atriz?
Amanda: Nos shows do Trem sempre tinha teatro junto, era muito legal. E eu sempre gostei disso, desde pequena. Então, quando acabou o grupo, surgiu essa oportunidade, que foi maravilhosa. Depois eu fui fazer o curso Tablado no Rio e fiz um espetáculo. Paralelamente, eu continuei compondo. Comecei a compor com 16 anos, a novela eu fiz com 13. A música esteve sempre presente, eu nunca pensei em abandoná-la.

Infância80 – O que você fez durante esses anos entre a novela e o seriado “Oh, Coitado!”?
Amanda: Fiz duas peças: “No Reino das Águas Claras” e “O Terror dos Mares”, de Monteiro Lobato, onde eu fazia Narizinho. Foi ótimo. Também fiz “O Mágico de Oz”, no Rio de Janeiro, depois “Oh Coitado!”, e agora “Motorboy”.

Infância80 – Como foi a experiência de trabalhar no seriado “Oh, Coitado!”?
Amanda: Foi ótimo! A equipe e o elenco eram maravilhosos, tenho contato com eles até hoje. Era um lugar pelo qual eu tinha que passar, sabe? Foi muito bacana.

Infância80 – Como você ingressou no Núcleo Experimental do Teatro Popular do SESI?
Amanda: Foram testes: fiz o grupo experimental e fui selecionada pra fazer a peça. O elenco é maravilhoso, a gente ficou muito amigo, eu admiro muito a Débora Dubois, é uma grande profissional, uma grande diretora. O Aimar Labaki também, que fez um texto muito legal, eu ainda não conhecia
o trabalho dele.

Amanda Acosta - Trem da AlegriaInfância80 – A peça conta a história de uma garota que, após sofrer um grande trauma, finge ser um menino e vai trabalhar como motoboy. Foi difícil montar esse personagem? Como você encarou isso?
Amanda: (pausa) Foi um desafio. No começo eu fiquei pensando “Putz, meu, difícil né?”, mas no processo a gente vai imaginando cenas, situações e a Débora (diretora) foi dando uns toques. Tivemos trabalho corporal e vocal também, a preparação foi bacana. Você tem que ir buscando, ficar reparando no dia a dia. É questão de trabalho, você vai trabalhando e vai conseguindo estruturar o personagem.

Infância80 – Você ainda mantém contato com os outros integrantes do Trem? Há possibilidade de novos projetos na área musical com algum deles?
Amanda: O Juninho e o Rubinho são grandes compositores, e a gente já está trabalhando junto de uma certa forma.

Infância80 – Quais são seus planos para o futuro?
Amanda: Meus planos pro futuro já estão acontecendo. Vou fazer um show agora dia 4 de Dezembro em São Paulo, e pretendo lançar meu CD solo, com músicas minhas, e algumas em parceria com o Rubinho e o Juninho (ambos ex-Trem da Alegria). Inclusive o Juninho vai fazer uma participação especial no show cantando uma música minha em parceria com ele. Também pretendo continuar com o teatro, enquanto eu puder me dedicar às duas coisas. Vamos ver o que vai acontecer, o futuro não existe né, a gente que vai montando ele.

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