Juninho Bill – Trem da Alegria

Trem da Alegria

“O Fera não é mais Neném”

por Paulo Cruz

(Entrevista publicada no Infância80 em 2002)

Com seus 18 anos de carreira, Juninho Bill tem muita coisa pra contar. Desde o Festival Internacional da Criança, em 83/84, o garoto começou a se destacar como cantor. Conseguiu o terceiro lugar e não parou por aí. Em 85 ele foi chamado pra integrar um novo projeto que estava sendo criado com o Luciano e a Patrícia, ex-integrantes do Clube da Criança. Nascia então o grupo que deu fama a um garotinho que não conseguia ficar parado quando via um microfone e uma câmera de TV, era o Trem da Alegria.
O Infância80 foi lá conferir com o próprio Juninho como foi alguns dos melhores momentos de sua carreira. Ele falou da sua época como integrante do Trem da Alegria, da sua passagem pelos gramados do futebol brasileiro e das músicas que cantava com a Banda Acesso Livre logo depois do fim do Trem.
Mas todos perguntam, querem saber, o que Juninho Bill faz hoje? Um astronauta? Um cientista? Ou um piloto de Fórmula Um? Não, a música “Quando Eu Crescer” não adivinhou. Juninho Bill está hoje no terceiro ano do curso de jornalismo e também é vocalista da banda Schulapa, que está procurando uma gravadora para colocar o seu primeiro disco nas prateleiras de todo o País.
Chega de papo e vamos logo ao que interessa. Confira a entrevista que fizemos com o Juninho Bill em São Paulo.

Infância80 – O que você fez antes do Trem da Alegria?
Juninho Bill: Eu participei do “Festival Internacional da Criança”. Peguei o terceiro lugar. Muita gente participou disso. Foi em 83, 84 não lembro bem o ano, foi logo no começo do SBT.

Infância80 Foi aí que chamaram você para o Trem da Alegria?
Juninho: Não, eu continuei sozinho. Eu participei do “Domingo no Parque”, com o Silvio Santos e me chamaram pra participar do Trem da Alegria somente em 85. Mas antes disso já existia o Clube da Criança, com a Xuxa, o Carequinha, a Patrícia e o Luciano. A Xuxa começou a apresentar o programa dela, o Carequinha eu não sei e a Patrícia e o Luciano começaram a cantar sozinhos. Foi aí que a gravadora me chamou.

Juninho Bill - Trem da AlegriaInfância80 – Como surgiu o nome “Juninho Bill”?
Juninho: Eu nem tenho “Júnior” no nome. Na verdade, eu me chamo Luís Carlos, mas desde pequeno eu já era Juninho, por causa do meu pai e do meu avô. Quando eu tinha uns três ou quatro anos, eu gostava muito de caubói, dormia e acordava com roupa de caubói, brincava de caubói o dia todo. Meu pai me chamava de Búfalo Bill, aí juntaram o Juninho com o Búfalo Bill e deu nisso.

Infância80 Como era participar dos programas de TV na época do Trem? Acontecia muita coisa errada nas gravações?
Juninho: Era super legal. Aconteciam alguns problemas sim. Você entrava e a música que estava tocando era a errada. Isso acontecia. Mas a gente só zoava, éramos crianças. A gente ficava no camarim jogando bola, não tava nem aí. A gente era muito novo.

Infância80 Foi difícil conviver com a fama tão cedo? Como era sua convivência na escola, com os amigos?
Juninho: Na verdade eu demorei pra sacar isso. Eu não entendia direito, tinha sete anos. Não sabia o que era fama. Eu nem sabia escrever direito, não podia dar autógrafos. Os fãs pediam pra tirar fotos, se eu tivesse na piscina, eu tirava na piscina mesmo, sem nenhum compromisso. Eu cresci com isso, era normal pra mim. Estranho foi quando a gente parou com o Trem, eu dizia: “Pô, é mesmo! O pessoal me conhecia!”. Era legal quando a gente ia para as cidades no norte, onde têm menos eventos. O pessoal ficava bem mais feliz. Aqui no Sul o pessoal era mais desanimado, já estavam acostumados.

Infância80 Em 89, a Vanessa e o Luciano saíram do Trem. Mudou muita coisa com a entrada do Rubinho e da Amanda?
Juninho: No começo foi estranho. Antes eu era o mais novo, aí eu passei a ser o mais velho. Eu e a Amanda não curtimos muito a entrada do Rubinho, não fomos com a cara dele. Coisa de criança. Ah, mas ele não jogava bola, nós ficávamos meio assim. Com o Luciano a gente zoava mais, a Vanessa tratava a gente como se fosse nossa irmã mais velha, cuidava da gente. Nós éramos crianças, ficamos espantados.

Infância80 Qual foi a reação de vocês quando o Trem da Alegria acabou?
Juninho: Eu não queria parar de cantar, mas queria parar com o Trem da Alegria. Nos últimos discos do Trem, a gente já estava largando tudo, eu não queria mais gravar. Não fizemos muita divulgação, só na Xuxa, no Faustão, que eram os mais importantes. Nem nas rádios a gente divulgou muito. Tanto que colocaram a música “Alguém no Céu” na novela como uma forma de divulgação. O último disco também foi meio largado, tanto que é praticamente uma coletânea. A gente começou a fazer shows já avisando que iria acabar. O último show foi em Vila Velha, a gente avisou nesse show que era o último. Acabou não sendo o último show, mas esse valeu como a despedida do Trem. No show, vimos uma menina chorando, quase dei risada. Quando acabou o Trem, a gente queria continuar, eu, o Rubinho e a Amanda. A gente já estava crescendo, Eu tinha 15 anos, a Amanda tinha uns 14 ou 13, sei lá. A gente queria fazer alguma coisa da nossa idade, uma coisa mais jovem, coisa que a dupla Sandy e Júnior fez.

Infância80 Você ainda mantém contato com os outros integrantes do Trem?
Juninho: Eu tenho mais com a Amanda e com o Rubinho. Na verdade, os quatro. O Luciano e a Vanessa também. A Amanda a gente anda se falando tanto, eu fui na casa dela esses dias, a gente ficou tomando cerveja, ouvindo CD… Com o Rubinho eu só falei uma vez este ano. O Luciano também, a Vanessa, a gente se reúne de vez em quando. A gente só não fala com a Patrícia, ela não fala nem com a família dela. Eu também não vou mais ficar ligando pra ela. Eu fiquei chateado, um dia, com uma coisa que ela falou. Ela é a única que não fala com ninguém. Eu sei que ela tá casada, tem filhos. Não é que a gente não quer falar com ela, eu desencanei, ela não quer falar com ninguém.

Infância80 Como surgiu o Juninho Bill e a Banda Acesso Livre?
Juninho: (pausa) É mesmo! Cara, onde você pegou isso?

Infância80 No site do Schulapa!   [http://www.schulapa.com.br]
Juninho: Pô, tem isso lá… Na verdade, a banda Acesso Livre já existia. Eu entrei depois. Os caras tinham uma banda e eu entrei na turma dos caras. Eu comecei a jogar bola e quando voltei a gente começou a tocar.

Infância80 Quais músicas vocês tocavam?
Juninho: Mais cover. Red Hot Chili Peppers, The Clash, Titãs, Barão, as coisas que fizeram sucesso na época. A gente chegou a se apresentar na TV, mas não tínhamos disco. Fomos no Raul Gil, no Bolinha…


Juninho Bill - Trem da AlegriaInfância80
Foi aí que surgiu o Schulapa?
Juninho: Foi aí que surgiu o Schulapa. E a galera curtiu.

Infância80 Vocês têm algum material gravado?
Juninho: A gente tem uma demo que está no site. A gente não tem um disco inteiro, só gravamos três músicas pra sair bem feito e pra servir de piloto pra galera.

Infância80 Já recebeu algum convite de gravadora pra virar um cantor romântico ou algo parecido?
Juninho: Eu não recebi de gravadora. Quando eu saí do Trem me chamaram pra cantar igual ao Latino e outros me chamaram pra cantar como o Netinho da Bahia. Há pouco tempo, em novembro ou outubro, ligou um cara falando que era um empresário de uma menina do SBT e de um monte de gente aí que eu não lembro o nome. Ele me ofereceu pra cantar, ele disse: “Olha, já tem gravadora, figurino, repertório, só falta o cantor. A gente fez uma pesquisa e você foi o escolhido. Você pegou em primeiro e o Rafael Ilha em segundo”. O cara disse que tinha que ser uma coisa igual ao Enrique Iglesias e o Ricky Martin. Sem chance. Você não precisa fazer nada, só cantar. Tá doido!

Infância80 Já que você tinha falado em futebol, você jogou durante um tempo, né? Quando foi?
Juninho: Sim, eu joguei um tempo no Corinthians, na Portuguesa… Na verdade, eu fiz teste em vários clubes também, mas esses clubes foram os que eu mais fiquei. Fui pra o Sinop no Mato Grosso e fui no Rio Branco de Americana, eu fiquei três anos jogando bola e só nesses times eu consegui ficar.

Infância80 Quando foi isso?
Juninho: Foi de 94 até 97. Isso, eu parei em 97. Hoje eu estou no terceiro ano de jornalismo, só jogo bola pela faculdade.

Infância80 E o futuro?
Juninho: Daqui pra frente tudo vai ser diferente… (risos) Eu quero gravar logo com a banda, arrumar uma gravadora, conseguir patrocínio, tem que correr atrás… Vou me formar em jornalismo, mas quero continuar com a banda. O bacana é que na banda não tem muito de “Juninho Bill” não, o mais legal é que todo mundo pode falar. O pessoal pensa que é a banda do Juninho, mas não é assim não. Todo mundo é responsável e todo mundo tem os mesmos méritos. O que eu quero agora é conseguir fazer uma carreira com essa banda. Ainda não conseguimos um contrato com uma gravadora. A gente não levou pra todo mundo. Eu só levei pra quem eu conhecia, o pessoal ligava e falava que era legal. A proposta a gente ainda não recebeu. Vamos ver, tudo tem seu tempo.

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